LÍNGUA PORTUGUESA
TEXTO 1
SOLIDARIEDADE
Betinho, Jornal do Brasil,
12/9/93
“[...] Assim
como a miséria foi sendo construída com a indiferença frente à exclusão e à
destruição das pessoas, a negação da miséria começa a se realizar com a prática
cotidiana, ampla e generosa da solidariedade.
A frieza
construiu a miséria. Construiu as cidades cheias de gente e de muros que as
separam como estranhos que se ignoram e se temem. A solidariedade vai destruir
as bases da existência da miséria. É uma ponte entre as pessoas.
Por isso o
gesto de solidariedade, por menor que seja, é tão importante. É um primeiro
movimento no sentido oposto a tudo que se produziu até agora. Uma mudança de
paradigma, de norte, de eixo, o começo de algo totalmente diferente. Como um
olhar novo que questiona todas as relações, teorias, propostas, valores e
práticas, restabelecendo as bases de uma reconstrução radical de toda a
sociedade. Se a exclusão produziu a miséria, a solidariedade destruirá a
produção da miséria, produzirá a cidadania plena, geral e irrestrita.
Democrática.
A luta contra
a miséria nos obriga a um confronto com a realidade naquilo que nos parece mais
brutal: a pessoa desfigurada pela fome, desesperada pela comida ou por qualquer
gesto de reconhecimento de sua existência humana. Se a distância perpetua a
miséria, a solidariedade interrompe o ciclo que a produz e abre possibilidades
imensas para se reconstruir a humanidade destruída em 32 milhões de pessoas e
negada em outros milhões de pessoas que vivem na pobreza.
Se a
indiferença construiu esse apartheid
monstruoso, a solidariedade vai destruir suas bases. E essa energia existe com
uma força surpreendente entre nós, uma força capaz de contagiar quem menos se
espera e de produzir uma nova cultura, a do reencontro.
Quando o
Movimento da Ação da Cidadania começou, ninguém esperava que fosse capaz de
andar tão rápido, de se expandir com tanta força, de tocar tantas e tão
diferentes pessoas, de encher auditórios e de se espalhar por todos os cantos
do país.
Há uma tremenda
força de mudança no ar, na terra. Há um movimento poderoso, tecendo a novidade
através de milhares de gestos de encontro. Há fome de humanidade entre nós, por
sorte ou por virtude de um povo que ainda é capaz de sentir, de mudar e de
impedir que se consume o desastre, o suicídio social de um país chamado
Brasil”.
01 - O texto é uma reflexão sobre
a solidariedade, motivo de um movimento – o Movimento da Ação da Cidadania –
criado por Betinho, autor do texto, alguns anos atrás. O primeiro parágrafo do
texto é construído numa estrutura comparativa, em que só NÃO correspondem:
(A)
a miséria / a negação da miséria;
(B)
foi sendo construída / começa a se realizar;
(C)
indiferença / prática;
(D)
exclusão, destruição / solidariedade;
(E)das pessoas / ampla e
generosa.
02 - O fato de o texto começar
por colchetes com pontos suspensivos – [...] – indica que:
(A)
havia outros segmentos anteriores que não foram reproduzidos;
(B)
se trata de um texto reflexivo e que é necessário pensar sobre o que é
dito;
(C)
o texto é cópia de um original já publicado anteriormente;
(D)
há citações alheias inseridas no corpo do texto;
(E)a publicação do texto é
matéria paga pelo próprio autor.
03 - “...exclusão e destruição
das pessoas,...”; nesse segmento do texto, os dois substantivos – exclusão e destruição – exigem a mesma preposição e, por isso, a construção é
considerada correta na norma culta. A frase abaixo que repete essa mesma
estrutura é:
(A)
Betinho admirava e gostava da humanidade;
(B)
o movimento precisava e queria a ajuda de todos;
(C)
Betinho pretendia e ansiava por um movimento nacional;
(D)
o movimento ajudava e acompanhava os pobres;
(E)todos participavam e
pensavam sobre o movimento.
04 - No segmento “...destruição das
pessoas...”, o termo sublinhado funciona como paciente do termo anterior, o
que também ocorre em:
(A)
“Por isso o gesto de solidariedade...”;
(B)
“...uma mudança de paradigma...”;
(C)
“...restabelecendo as bases de uma reconstrução radical...”;
(D)
“...ou por qualquer gesto de reconhecimento...”;
(E)“...o Movimento da Ação da
Cidadania...”.
05 - “A frieza construiu a
miséria.”; em outras palavras, pode-se dizer que:
(A)
a frieza é causa necessária e suficiente da miséria;
(B)
a frieza é causa suficiente da miséria;
(C)
a miséria é construída unicamente pela frieza;
(D)
só a frieza construiu a miséria;
(E)a frieza está entre as causas
da miséria.
06 - Ao dizer que a solidariedade
“é uma ponte entre as pessoas”, o autor do texto atribuiu à ponte o símbolo de:
(A)
caridade;
(B)
rapidez;
(C)
união;
(D)
religiosidade;
(E)doação.
07 - “A frieza construiu a
miséria. Construiu as cidades cheias de gente e de muros que as separam como
estranhos que se ignoram e se temem. A solidariedade vai destruir as bases da
existência da miséria. É uma ponte entre as pessoas.”; entre os problemas referidos
nesse segundo parágrafo do texto só NÃO está o(a):
(A)
egoísmo;
(B)
violência;
(C)
indiferença;
(D)
corrupção;
(E)medo.
08 - “...que se ignoram e se
temem.”; o item abaixo em que o SE aparece também como pronome de valor
recíproco é:
(A)
A negação da miséria começa a se realizar neste momento;
(B)
A solidariedade se opõe a tudo que se produziu até agora;
(C)
A campanha traz uma força capaz de contagiar quem menos se espera;
(D)
Se a distância perpetua a miséria, a solidariedade a interrompe;
(E)Os homens e mulheres se
contagiam na campanha.
09 - “Por isso o
gesto de solidariedade, por menor que seja, é tão importante.”; uma outra forma
de expressar-se o mesmo conteúdo desse segmento do texto é:
(A)
Em vista disso o gesto de solidariedade, ainda que bem pequeno, é muito
importante;
(B)
Embora pequeno, por isso o gesto de solidariedade é tão importante;
(C)
Em função disso, o gesto de solidariedade é tão importante, quando
pequeno;
(D)
Segundo isso, o gesto de solidariedade, mesmo que menor, é bem
importante;
(E)Simultaneamente, o gesto de
solidariedade, apesar de pequeno, é muito importante.
10 - A palavra democrática, ao final do terceiro
parágrafo, funciona, em relação aos segmentos anteriores do mesmo parágrafo,
como:
(A)
retificação;
(B)
síntese;
(C)
explicação;
(D)
confirmação;
(E)comparação.
11 - “...e de impedir que se
consume o desastre...”; a forma verbal consume
é cognata de:
(A)
consumismo;
(B)
consumidor;
(C)
consumação;
(D)
consumo;
(E)consumista.
12 - O item em que o pronome QUE
tem seu antecedente ERRADAMENTE indicado é:
(A)
“Construiu as cidades cheias de gente e de muros QUE as separam...” =
pessoas;
(B)
“Como um olhar novo QUE questiona todas as relações...” = olhar;
(C)
“...confronto com a realidade naquilo QUE nos parece mais brutal...” =
aquilo;
(D)
“...a solidariedade interrompe o ciclo QUE a produz...” = ciclo;
(E)“...por sorte ou virtude de
um povo QUE ainda é capaz....” = povo.
13 - Se observamos os vocábulos solidariedade, humanidade e novidade, vemos que:
(A)
são adjetivos e substantivos formados a partir de outros substantivos;
(B)
são substantivos abstratos;
(C)
possuem valor coletivo;
(D)
são substantivos formados a partir de adjetivos;
(E)são substantivos abstratos
formados a partir de verbos.
14 - Na frase “A frieza construiu
a miséria”, pelo fato de o substantivo frieza
estar em lugar de pessoas frias,
dizemos que aí há um exemplo de uma figura denominada:
(A)
metonímia;
(B)
metáfora;
(C)
comparação;
(D)
prosopopéia;
(E)catacrese.
NOÇÕES DE LÍNGUA INGLESA
READ TEXT I AND ANSWER QUESTIONS 15 AND 16:
TEXT I
Here
is a report about an exhibition held at the Guggenheim Museum in New York last
year:
Much of Brazil’s celebrated
cultural vitality can be easily traced to the influence of African traditions,
and the Guggenheim show takes full cognizance of that fact. Baroque pieces
representing black saints stand alongside African deities, and traditional
forms of African sculpture re-emerge in artwork that translates African motives
into a distinctively modern idiom.
The dialogue among Brazil’s
African indigenous and European cultural traditions was embraced
enthusiastically in the modernist art of the 1920s. Though influenced by the
European avant-garde (which was, of course, also influenced by African
sources), Brazilian artists set out to undo their colonial legacy by
subversively combining foreign and native cultural references.
(TIME, Dec. 3, 2001:45)
15 - The text states that the
Guggenheim show:
(A) acknowledges African influence;
(B) displays all of African art;
(C) presents a postmodern display;
(D) conceals African statues;
(E)disclaims African origins.
16 - As regards the Brazilian
colonial past, the Modernist movement tried to:
(A) look up to it;
(B) turn back to it;
(C) search for it;
(D) break away from it;
(E)bring it back.
READ
TEXT II AND ANSWER QUESTIONS 17
TO 24:
TEXT
II
SKELETONS IN THE CLOSET
Ethics and archaeology began
to collide relatively recently. The
modern discipline traces its roots back to the gentleman amateurs of the early
19th century, who brought statues, columns, mummies and trinkets
back as souvenirs from their travels around the Mediterranean. Subsequent
generations of archaeologists have tended to regard men such as Giovanni
Belzoni – a one-time circus strong-man who shipped Egyptian antiquities back to
the British Museum in London – as little better than tomb-robbers.
Belzoni was the first
European to enter the temple at Abu Simbel. He rediscovered the entrance to the
Great Pyramid and found five tombs in the Valley of the Kings, including that
of Seti I...
By the early 20th
century, however, archaeologists had begun to adopt the methodology of science.
Increasing emphasis was placed on the accurate measurement and description of
sites and publication of results in archaeological journals. Technological
advances – such as the advent of radiocarbon dating – led to further
refinements, and the “new archaeology” movement of the 1960s promoted quantitative
methods such as statistical analysis. The transformation of archaeology, from
tomb-robbing by amateurs into a coherent scientific discipline, was complete.
(The Economist,
March 30, 2002: 87-8)
17 - According to the text,
archaeology:
(A) has always employed scientific methods;
(B) was structured on detailed measurement;
(C) used statistics only in its initial studies;
(D) will never be much concerned with scientificity;
(E)has turned to scientific methods only recently.
18 - The title implies that
archaeologists:
(A) kept bones in their cupboard;
(B) were afraid of mummies;
(C) died in their expeditions;
(D) had an embarrassing past;
(E)hid treasures from scientists.
19 - Before 1960,
archaeologists were seen as little better than: